quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Diabo veste Prada

"O Diabo veste Prada" Crítica. O filme acima pode ser observado através de diversas óticas. Se visto como um filme que enfoca o mundo da moda veremos que, apesar de um figurino impecável, é superficial, pois se limita a mostrar a diretora presidenta de uma grande revista de moda e seus modelitos e sua assistente descontextualizada. Sabemos que no "mundinho fashion" não são assim que as coisas funcionam. É um universo repleto de traições, rivalidades, luta de egos, vícios, falsidades e superficialidade.Além de trabalho, claro. Meryl Streep encarna a detestável Miranda Priesly, diretora da revista de moda Runway e suas relações com a 2ª. Assistente-tiete Any (Anne Hatway.) Se a intenção do livro no qual o filme se baseou era a de criticar Anna Wintour, diretora da Vogue americana, no filme o que há é até uma homenagem, pois, ao final, Meryl-Miranda-Anna-se mostra uma mulher superior, temperamental, mas não má ou detestável como o livro a retrata. Já sob o aspecto das relações no trabalho, podemos analisar alguns pontos importantes: Claro que, indubitavelmente, estaremos indo além, pois acreditamos que o filme não tenha a intenção de fazer apologia às relações no trabalho , exceto, talvez, a de mostrar que pessoas dedicadas demais ao trabalho prejudicam suas relações afetivas. Any se formou em jornalismo. É competente e seu sonho é trabalhar no jornal New Yorker. Está procurando seu primeiro emprego depois de formada.Seu currículo acaba parando na Runway, maior revista de moda americana e ela, que não entendia nada de moda, se vê às voltas com um universo totalmente diferente do pretendido(Valentinos, Pradas etc),. para "piorar tudo" vai ser a 2ª. Assistente da poderosíssima "Miranda Priesly. Claro que, no mundo real, isso é quase que totalmente inverossímil , mas... Lá está ela demonstrando ter uma das qualidades mais importantes no mundo moderno: Aceitar desafios: Ela vê no emprego uma oportunidade única. No entanto, não bastava apenas aceitar o desafio. Não demorou muito, para perceber: caso não se adaptasse, perderia o emprego rapidinho!. Primeiramente, uma adaptação visual: Ser "igual" ao conjunto. Fazer parte do "time" e, depois, adaptar ou mudar seu discurso. Muitas vezes, o ambiente de trabalho não nos completa, mas devemos deixá-lo sem ao menos explorar o que ele nos oferece? Podemos abrir mão de nossas conquistas pessoais no âmbito do crescimento humano?. Adaptar-se como sinônimo de perda da identidade nos farão felizes? Felicidade x dinheiro = Até que ponto o aspecto financeiro deve ser levado em conta? No caso de Any, não era somente o aspecto financeiro, ela percebeu que precisava mudar também. Não ser tão rígida.Apaixonar-se por ela mesma. Descobriu que mudar fisicamente não significava ser menor intelectualmente. Nesse caso, ponto para ela. Em contato com a chefe-megera aprende a adaptar-se, desafiar-se, melhorar. Num segundo momento, após todas essas percepções, a vemos às voltas com um namorado acomodado e não estimulante. Tudo para ele estava bom, assim como vida sem desafios que ele levava. A partir da mudança de Any, visual e comportamental, O namorado acabou "incomodado". Enquanto isso, ela teve de fazer uma nova escolha. (a primeira foi a de iniciar um trabalho totalmente distante do pretendido). Desta vez, não era a escolha de uma roupa ou acessório, era continuar ao lado de Miranda e ser a 1ª. Assistente, substituindo sua colega de trabalho. Em um primeiro momento, ela aceita . Vai à Paris no lugar dessa colega e tem uma experiência amorosa com um rapaz que, no início do filme,e se mostra interessante e interessado. No entanto, após uma única noite juntos, prova ser um canalha.A partir daí ela percebe não ser mais uma questão de adaptação, mas de mudança de seus valores. Fazer parte do "time" já não era só uma questão de adaptação, mas, sim, de transformação. Transformar-se em alguém que não era. Deixar nossos valores de lado é um preço muito alto para permanecermos empregados/amados? Se estivermos em um lugar e esse lugar nos oferece oportunidade de crescimento e transformação positivos, por que não continuarmos ali e sermos desafiados diariamente a melhorar? Mas, se pudermos perceber que esse lugar já não nos oferece nada além do dinheiro, caberá a nós escolhermos o melhor caminho. Integridade, percepção do outro, valores morais são individualidades que não nos cabe julgar. Cada um tem muito a aprender com as escolhas que fizer. No caso de Any, ela deixa Miranda e a Runway e vai em direção do que acredita. Ela mudou e provocou mudanças: fez com que o outro, no caso o namorado, mudasse também, pois ao final do filme ele diz a ela que aceitou uma proposta de emprego desafiadora. Podemos então concluir que: Sempre que direcionamos nossas vidas, para o bem ou para o mal, provocamos transformações também. Transformações construtivas ou não. No caso de Any e do namorado, sim, pois ele deve ter percebido que estava aquém dela e sentiu-se desafiado. Há inúmeras metáforas que podem ser encontradas ou "colocadas" no filme. Como dissemos, mas é claro que a proposta do filme não é essa. Porém, por que não expandirmos um pouco mais as percepções de um filme que, possivelmente, só queria entreter e fazer rir? Por que não concluir que podemos aceitar desafios, podemos mudar posturas enraizadas, mas não devemos mudar nossa essência. Nossos valores, aquilo que de mais íntegro temos em nós. Enfim...


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